Adiar
O que é certo é que, hoje em dia, estamos sempre a adiar tudo!
A palavra mais ouvida é “hoje não porque…” ou “agora não que…”, tal como diz a música “Movimento Perpétuo Associativo” dos Deolinda (em baixo), onde assinalei a parte positiva a verde e a outra a vermelho:Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vais parar!
Agora não, que é hora do almoço...
Agora não, que é hora do jantar...
Agora não, que eu acho que não posso...
Amanhã vou trabalhar...
Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos de vencer!
Agora não, que me dói a barriga...
Agora não, dizem que vai chover...
Agora não, que joga o Benfica...
e eu tenho mais que fazer...
Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, é esta a direcção!
Agora não, que falta um impresso...
Agora não, que o meu pai não quer...
Agora não, que há engarrafamentos...
Vão sem mim, que eu vou lá ter...
Hoje em dia, parece que as pessoas só se juntam para funerais, casamentos, Natal, despedidas, aniversários e pouco mais…e o dia de hoje é diferente porquê? Porque não é uma grande festa? Porque não é um dia especial que está destacado no calendário?
Parece-me que temos que começar a valorizar mais o “hoje”, o “aqui e agora”, o que temos e quem temos ao nosso lado…


Nos dias mais cinzentos, chuvosos ou sempre que o “nosso Sol” não está, como fazemos? Em que direcção olhamos? Quem seguimos?
Apenas as estrelas têm luz própria, por isso, às vezes, temos necessidade de seguir alguma, talvez de ser iluminados com a sua luz ou até aquecidos com o seu calor…
Sabemos que voltar para trás não é opção, então, o que podemos fazer?
Seja como for, nunca vamos saber onde o caminho nos vai levar se nunca o escolhermos…e, bem ou mal, optamos por aquele que nos parece ser o melhor.



Bem, é a vida, e há coisas que nunca vamos saber.
…nessas ocasiões, talvez seja preferível fazer uma pausa e aguardar o melhor momento para voltar a retomar a caminhada (sim, porque o nevoeiro não dura para sempre), ou até pedir ajuda, pois as “luzes de nevoeiro” não são suficientes em alguns casos.


